sábado, 22 de abril de 2023

MESA DE EXÁMENES DE MAYO

 



EXÁMENES LIBRES: LUNES 15 DE MAYO DE 2023


NIVEL ELEMENTAL : DE 9 A 11 HS.

NIVEL SUPERIOR : DE 9 A 12 HS.

NIVEL MEDIO : DE 12 A 14 HS.





domingo, 16 de abril de 2023

A INFLUÊNCIA CULTURAL E CIENTÍFICA DO PORTUGUÊS

As dimensões da cultura e da ciência são campos privilegiados a partir dos quais pode-se compreender o impacto de uma língua no mundo globalizado, porque revelam os meios como o conhecimento, seja ele resultado da experiência estética e artística ou da investigação científica, é produzido, difundido e partilhado socialmente.

O português é inequivocamente uma das línguas de maior projeção e crescimento no século XXI, com grande presença em diferentes esferas das sociedades contemporâneas, visível nos números do seu ensino, na formação de novos professores, na sua presença nas organizações internacionais, como língua de produção e difusão da ciência, e, cada vez mais evidente, como língua de comunicação global, com presença marcante no mundo digital.

Do ponto de vista da cultura, o português destaca-se pela grande diversidade das suas manifestações, decorrentes da expressão de uma grande comunidade de falantes, em torno de 245-270 milhões, considerando-se os Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e um crescente número de utilizadores da língua como língua estrangeira e segunda. Essa grande comunidade que vive em português manifesta-se culturalmente através das artes, da literatura e da produção midiática de modo cada vez mais visível, como mostram os dados de seu crescimento e projeção no mundo.

A cultura, nessa perspectiva, é compreendida como “uma teia complexa de significados que são interpretados pelos elementos que fazem parte de uma mesma realidade social, os quais a modificam e são modificados por ela” (Mendes, 2015: 218), e inclui as tradições, os valores, as crenças, as atitudes e conceitos, assim como os objetos e toda a vida material, a qual não existe sem uma realidade social que lhe sirva de ambiente. Mas não apenas isso, a cultura está presente em todos os produtos da vivência, da ação e da interação dos indivíduos, de modo que tudo o que é produzido, material e simbolicamente, no âmbito de um grupo social é produto da cultura desse grupo (Mendes, 2015).

Quanto à ciência, assiste-se a um novo posicionamento do português no cenário internacional. Embora a produção em ciência e tecnologia (C&T), no mundo contemporâneo, seja orientada, em grande parte, para atender às demandas do mercado, numa perspectiva de “customização” do conhecimento, predominantemente difundido em inglês, há uma nova reordenação geopolítica, dentro da qual as línguas assumem papel preponderante. (Oliveira et al., 2017) A produção e o consumo no capitalismo tardio (Marazzi, 2009) são, hoje, altamente dependentes da comunicação, da tecnologia e, consequentemente, das línguas. Como destaca Marazzi (2009:65), “A posição de cada país e de cada língua dependerá de sua capacidade de capitalizar o trabalho vivo imaterial, o saber e o conhecimento [...]”.

Nessa perspectiva, o português, no cenário da produção científica contemporânea passa a assumir grande visibilidade, quantitativa e qualitativa, decorrente, entre outros fatores, do crescimento do número de instituições de ensino superior em países de língua portuguesa, a partir da segunda metade do século XX, chegando-se hoje a um total aproximado de 2700 instituições no mundo que funcionam em língua portuguesa. Deste conjunto, cerca de 93% são brasileiras.

A esse grande capital intelectual, junta-se o fato de já haver uma saturação no mercado em relação ao inglês, uma vez que não se pode produzir indefinidamente bens culturais e intelectuais em uma única língua. Novos mercados surgiram e com eles novas línguas começam a despontar.  [...]


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FONTE: MENDES, E. VALENTIN, F. A influência cultural e científica do português. In: A projeção internacional do espanhol e do português: o potencial da proximidade linguística. Lisboa: Imprensa Nacional, 2020. p. 242-260.

terça-feira, 28 de março de 2023

LÍNGUAS PRÓXIMAS...

O galego e o português estão próximos — mas será possível quantificar essa proximidade? Por outro lado, será possível perceber até que ponto o português actual se distanciou do português da época de Camões? Aqui ficam (possíveis) respostas.

 

Como medir a distância linguística?

Haverá forma objectiva de olhar para a proximidade entre línguas ou variantes de línguas? Não é fácil: todos temos tendências, impressões, inclinações…

Há, no entanto, técnicas que tentam ser um pouco mais objectivas. Um dos mais recentes estudos neste âmbito foi realizado por José Ramom Pichel, numa investigação apresentada nos artigos científicos referidos na bibliografia e na sua tese de doutoramento. (Fui co-autor, em conjunto com outros linguistas, de dois dos artigos.)

O estudo baseia-se neste facto linguístico: um conjunto de caracteres aparece com uma frequência diferente entre línguas, mas é relativamente estável em textos da mesma língua.

(…)José Ramom Pichel usou uma métrica complexa − essa métrica já existia e tem como nome perplexity. Em termos simples, mede a distância de um texto (ou conjunto de textos) em relação a um modelo de língua previamente calculado com base num corpus significativo (com milhões de palavras dessa língua).

A métrica foi adaptada à análise da proximidade linguística, criando-se um valor de PLD (Perplexity Language Distance) que mede a distância entre, por exemplo, português e castelhano, português e russo ou inglês e arménio − mas também entre português europeu e português do Brasil ou castelhano de Espanha ou castelhano da Argentina.



CONTINUAR LENDO:

https://observalinguaportuguesa.org/qual-e-a-distancia-entre-o-portugues-o-castelhano-e-o-galego/



quarta-feira, 8 de março de 2023

PORTUGUÉS ELEMENTAL, MEDIO Y SUPERIOR - PRIMER CUATRIMESTRE 2023


DÍAS Y HORARIOS DE LAS COMISIONES

INSCRIPCIÓN DEL 20/03 AL 23/03

INICIO: SEMANA DEL 27/03

CALENDARIO ACADÉMICO


NIVEL ELEMENTAL:

COM 1: LUNES de 09 a 13 hs.- ( VIRTUAL )

COM 2: LUNES de13 a 17 hs.- ( VIRTUAL )

COM 3: LUNES de19 a 23 hs.- ( VIRTUAL )

COM 4: JUEVES de 09 a 13 hs.-( VIRTUAL )

COM 5: VIERNES de 19 a 23 hs.- ( VIRTUAL )


NIVEL MEDIO:

COM 6: MIÉRCOLES y VIERNES de 09 A 11 hs.- ( VIRTUAL )

COM 7: JUEVES de 17 a 21 hs.- ( VIRTUAL )

COM 8: VIERNES de 19 a 23 hs.-( VIRTUAL )


NIVEL SUPERIOR:

COM 9: LUNES de 09 a 13 hs.-( VIRTUAL )

COM 10: JUEVES de 13 a 17 hs.-( VIRTUAL )

COM 11:  MIÉRCOLES de 17 a 21 hs.-( VIRTUAL )


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quarta-feira, 1 de março de 2023

A PRESENÇA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NA INTERNET


Um recurso estratégico de desenvolvimento das sociedades

Por Edleise Mendes; 18 de janeiro de 2022.


«Em pleno século XXI, um dos maiores indicadores de desenvolvimento econômico e social dos países é o seu investimento em tecnologia, com diferentes reflexos nos variados setores da vida produtiva e da vida social.»


Em pleno século XXI, um dos maiores indicadores de desenvolvimento econômico e social dos países é o seu investimento em tecnologia, com diferentes reflexos nos variados setores da vida produtiva e da vida social. Um desses importantes setores é o da Internet e o seu impacto no desenvolvimento das sociedades, para o que é fundamental a compreensão do papel e do valor das línguas como recursos importantes para esse desenvolvimento.


Em 2021, começou a ser desenvolvido o Projeto Presença da Língua Portuguesa na Internet, comparada com outras línguas (PPI), financiado pelo Departamento Cultural e Educacional do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no âmbito do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP/CPLP)  e executado pelo Observatório da Diversidade Linguística e Cultural na Internet1, sob a coordenação da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo2, com sede na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil. O projeto utilizou-se de metodologia inovadora e de informações atualizadas sobre a presença do português na internet, a partir da consulta a um amplo conjunto de fontes de dados. Seus resultados iniciais foram apresentados na IV Conferência para o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, realizada em Cabo Verde, em maio de 20213.


Esses dados mostram que a população de falantes de português mais importante de pessoas conectadas por país pertence, respectivamente, ao Brasil (90%), Portugal (4,3%), Angola (1,7%), Moçambique (1,6%), França (0,5%) e Estados Unidos (0,4%). Guiné-Bissau e Angola apresentam dados extremamente baixos de acesso à internet e Moçambique muito baixo acesso. Portugal apresenta números de Internet relativamente baixos em comparação com outros países da OCDE e baixa taxa de crescimento, ao contrário de Cabo Verde, que apresenta alta taxa de crescimento e de presença na Internet em relação aos outros PALOP. Os falantes de português representam 3,05% da população mundial conectada à internet e a língua divide a sexta posição junto com outras 4 línguas: árabe, russo, alemão e japonês. A perspectiva de curto prazo é que a língua portuguesa possa liderar este grupo; a longo prazo, o árabe deve levar vantagem demográfica e o português deve se consolidar no 7.º lugar.


Os medidores da presença do português na internet nos orientam sobre a sua posição em relação a outras línguas de relevância global, destacando o papel de cada país de língua portuguesa nesse processo e de outros países onde a língua está presente, além dos pontos fracos ou “brechas digitais” que precisam ser reforçados ou corrigidos pelos nossos governos. Além disso, como destacam os pesquisadores Daniel Pimienta e Gilvan Oliveira, estudos desse tipo representam uma ferramenta poderosa para o planejamento estratégico de ações públicas ou privadas na área do acesso, da produção de conteúdo, das indústrias culturais, do e-comércio, da educação e da produção da ciência e tecnologia, entre outros. Que os Estados membros da CPLP reconheçam esse campo como estratégico e invistam para corrigir a defasagem de acesso ao mundo digital que há entre os nossos países.

 

1 Coordenação de Daniel Pimienta (FUNREDES). O Observatório tem trabalhado com o tema do espaço das línguas na Internet desde 1998.  

2 Coordenação de Gilvan Müller de Oliveira (Universidade Federal de Santa Catarina). Disponível em: https://www.unescochairlpm.org/.

3 Evento realizado em modalidade virtual. Disponível em: www.youtube.com/watch?v=AzVEm5OsLng&t=4677s. Acesso em: 10 jan. 2022.


Sobre a autora

Edleise Mendes: Professora associada da Universidade Federal da Bahia, especializada em  graduação e no Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLinC). Autora, entre outras obras, de Diálogos interculturais: ensino e formação em português língua estrangeira e Vidas em Português: perspectiva culturais e identitárias em contexto de português língua de herança (PLH).'

FONTE: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. 

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/lusofonias/a-presenca-dos-paises-de-lingua-portuguesa-na-internet/4784#

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

A linguista da língua como ela é

 

Maria Helena de Moura Neves: “O que leva um povo a elaborar a gramática de sua própria língua?”

Divulgação / Editora Unesp

Um dos principais nomes da linguística no Brasil começou sua carreira universitária com quase 40 anos, após mais de duas décadas dedicadas às aulas de língua portuguesa no ensino fundamental e médio. Maria Helena de Moura Neves, que morreu em Araraquara (SP), em 17 de dezembro do ano passado, em consequência de um acidente vascular cerebral, já tinha criado seus três filhos quando iniciou a graduação em letras português-grego na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, em 1967. Tinha 91 anos.

Seu objeto de pesquisa surgiu ainda na graduação, a partir de uma curiosidade que guiaria sua carreira: “O que leva um povo a elaborar a gramática de sua própria língua?”. Com base nessa questão, Neves concluiu o doutorado em 1978, na Universidade de São Paulo (USP). Sob a orientação de José Cavalcante de Souza (1925-2020), defendeu a tese “A emergência da disciplina gramatical entre os gregos”. Antes disso, em 1974, para poder consultar obras de seu interesse, graduou-se também em alemão.

Sete anos antes de se tornar professora efetiva da Unesp, em 1971 começou a lecionar grego na mesma instituição. Obteve a livre-docência em 1984 e, três anos mais tarde, aposentou-se. Continuou, porém, trabalhando na universidade como professora voluntária e, mais tarde, na condição de emérita. Em 2003, passou a lecionar também na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Era coordenadora do Grupo de Pesquisa Gramática de Usos do Português, cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A curiosidade acerca do impulso para formular uma gramática foi o que levou Neves a pesquisar os gregos, primeiro povo no Ocidente a formalizar o estudo de seu idioma, de acordo com o latinista Carlos Renato Rosário de Jesus, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), que foi supervisionado por Neves em um projeto de pós-doutorado encerrado em 2020. No século III a.C., a civilização grega sofria influência de outros povos, como os romanos. A pressão externa produziu uma sensação de que a cultura estava ameaçada e, para preservá-la, a língua deveria passar por um processo de organização e regularização. Foi nesse contexto que surgiram os gramáticos alexandrinos, ligados à Biblioteca de Alexandria.

Essa e outras questões são exploradas no livro A vertente grega da gramática tradicional (Hucitec, 1987), resultante da pesquisa de doutorado de Neves, revisado e reeditado em 2005 pela editora da Unesp. “Esse livro foi o primeiro contato que eu e muitas pessoas tivemos com o trabalho de Maria Helena, ainda na graduação”, relata Jesus. “É uma obra que explora questões filosóficas em torno da gramática, o que abre diversos caminhos de investigação”, afirma. Como professor de latim e interessado em temas ligados à retórica clássica, Jesus conta que a publicação teve grande influência sobre seu campo de estudo.

Em parceria com sua professora de grego na graduação, Daisi Malhadas, da Unesp, e uma orientanda que hoje é docente da mesma universidade, Maria Celeste Consolin Dezotti, Neves organizou o primeiro Dicionário grego-português, publicado inicialmente em cinco volumes entre 2006 e 2010, e reunido em volume único em 2022. Ela se referia a esse trabalho como um dos capítulos “mais significativos” de sua vida profissional.

A trajetória da linguista, que publicou mais de 20 livros, pode ser dividida em três vertentes principais. Os estudos em torno do grego e da gramática clássica constituem a primeira. Segundo o também linguista André Vinícius Lopes Coneglian, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (Fale-UFMG), esse pode ser considerado o grande “ponto de entrada” de seu pensamento, aquele que orientou e organizou todo o conjunto de suas preocupações teóricas.

A segunda vertente é a da teoria funcionalista da gramática, da qual a professora da Unesp foi também um dos principais expoentes no Brasil. Essa teoria surgiu simultaneamente em diferentes partes do mundo na segunda metade do século XX, quando linguistas passaram a se dedicar às questões da gramática, a partir de suas próprias teorias sobre o modo como as pessoas se comunicam com o idioma, oralmente ou por escrito, segundo Jesus. De acordo com Coneglian, o funcionalismo se distingue das teorias linguísticas tradicionais, como a estruturalista, herdeira do suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913), ou a generativa, criada pelo norte-americano Noam Chomsky, por não pensar a língua apenas com referência a si mesmo. Para os funcionalistas, é preciso entender as estruturas da língua a partir do modo como ele é usado.

“Maria Helena não se filiou a uma vertente funcionalista específica, mas construiu uma visão própria a partir de várias influências”, observa Coneglian. “Sua gramática é organizada com base na construção de enunciados. Categorias como substantivo, verbo e adjetivo são submetidas ao processo pelo qual a linguagem se constrói. Nesse processo, o verbo tem posição central e em torno dele são distribuídos os participantes do enunciado”, resume.

Duas obras são apontadas como fundamentais nessa vertente do trabalho de Neves: a Gramática de usos do português (Editora Unesp, 2000) e o Dicionário de usos do português (Ática, 2002, em coautoria com Francisco da Silva Borba e Sebastião Expedito Ignácio). “O ponto de partida das reflexões de linguagem não são as classes de palavras nem as funções sintáticas, mas aquilo que a linguagem faz no texto”, explica Coneglian. “O que precisamos entender é o que as peças da língua estão fazendo em termos de significado e efeito comunicativo.” Por essa perspectiva, Neves definia a gramática como “cálculo da produção de sentido na linguagem”.

Essas duas obras, entre outras, se beneficiaram de projeto desenvolvido no Centro de Estudos Lexicográficos da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), da Unesp a partir de 1981, sob direção do linguista Francisco da Silva Borba, também professor da instituição. Trata-se da constituição do banco de dados conhecido como “Corpus de Araraquara”, que atualmente reúne mais de 200 milhões de palavras. O corpus visa captar e sistematizar dados de como o português ocorre em seu uso vivido e inclui textos dos séculos XVI ao XXI, de literatura (romances, contos, crônicas etc.), linguagem técnica, traduções, oratória (discursos, muitos deles de políticos) e imprensa.

“Esse foi um trabalho revolucionário na linguística brasileira”, afirma Coneglian. “Hoje, não está entre os maiores bancos de dados porque, com a internet, existem coleções com mais de 1 bilhão de ocorrências. Mas ele tem as vantagens de cobrir um vasto período histórico e de ser organizado segundo o tipo de texto.” De acordo com o linguista, é um corpus muito bem pensado. “E, de todos os pesquisadores envolvidos, acho que foi ela quem mais o aproveitou em seus trabalhos”, diz.

A terceira vertente da trajetória de Neves é o próprio ensino da língua portuguesa. Um dos livros que a linguista deixou pronto para publicação, em coautoria com Coneglian, se chama Laboratório de ensino de gramática. Destinado a professores em formação inicial e continuada, nos cursos de letras ou pedagogia, deve ser lançado este ano pela editora Contexto. Segundo Coneglian, o livro oferece propostas de exercício a partir de pontos teóricos das gramáticas de usos desenvolvidas por Neves. “Formular exercícios é uma das coisas mais difíceis para o professor que está começando. O aluno de pedagogia pouco aprende a prepará-los”, observa o professor da UFMG.

Um equívoco que Neves costumava apontar no ensino tradicional da gramática consiste na ênfase excessiva na metalinguagem. Para ter um entendimento metagramatical de verbos, substantivos e adjetivos, argumentava a professora, é preciso já ter um conhecimento abstrato da língua bastante desenvolvido. A sistematização em classes e funções deveria ser o ponto de chegada do aprendizado, defendia ela, não seu ponto de partida. Na proposta de Neves, o aprendizado se dá pelos processos que formam os enunciados. A definição das categorias e classes ocorreria em etapa posterior.

Seus colegas e estudantes se referem à linguista como uma pessoa enérgica, que fazia questão de manter uma comunicação constante com orientandos e colaboradores. “Comecei a interagir com ela quando ainda estava na graduação e rapidamente percebi que era muito dedicada aos orientandos”, recorda Coneglian. “Eu ainda nem era oficialmente seu aluno e já nos reuníamos toda semana. Eu mandava textos e ela os devolvia corrigidos.” O pesquisador foi orientando de Neves no mestrado e no doutorado, tornando-se em seguida um coautor constante. “Nós nos tornamos amigos muito rapidamente”, recorda.

“Receber a notícia de sua morte foi como ouvir que faleceu uma pessoa jovem, não uma nonagenária. Porque ela era muito ativa, cheia de projetos e novas ideias”, diz Jesus, que durante seu estágio pós-doutoral integrou a equipe do Mackenzie que realizou um período de intercâmbio na Universidade Gabriele D’Annunzio, em Pescara, na Itália, em projeto iniciado por Neves.

A linguista seguia trabalhando intensamente. Orientava pesquisas, redigia artigos e deixou três livros no prelo. Passou vários meses de 2021 preparando um projeto de pesquisa para renovar sua bolsa de produtividade do CNPq. A aprovação, em 2022, foi uma grande alegria para ela, conta Coneglian. Em fevereiro, recebeu o prêmio Ester Sabino, instituído no ano anterior pelo governo do estado de São Paulo para homenagear mulheres cientistas.

Para Coneglian, o amor à linguagem sintetiza a personalidade de Maria Helena de Moura Neves. Foi uma paixão que começou de forma espontânea durante sua infância no interior de São Paulo – em Taiaçu, onde nasceu e depois em São Carlos, onde cresceu. Seus pais, professores primários, assinavam revistas em espanhol e italiano e ela se dedicava a comparar as estruturas desses idiomas com a do português. Ainda criança, também costumava comparar diferentes edições de Os lusíadas, disponíveis nas estantes de sua família.

Sobre a carga de trabalho, que a levava a jornadas de até 20 horas por dia, a professora não reclamava de peso excessivo. Dizia que envolvia um grande prazer. Seu principal contentamento, porém, vinha da vida familiar, relata Coneglian: Neves gostava de relatar para os colegas os almoços que preparava aos domingos para os dois filhos (o terceiro morreu ainda jovem), sete netos e seis bisnetos, além do genro e da nora, que também considerava como filhos. Era viúva desde 2010.


Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

PRÓXIMA MESA DE EXÁMENES LIBRES DE PORTUGUÉS



Informamos que la próxima mesa de exámenes libres de Portugués se llevará a cabo el viernes 24 de febrero de 2023 en los siguientes horarios:


PORTUGUÉS ELEMENTAL: de 9 a 11 hs.

PORTUGUÉS SUPERIOR: de 9 a 12 hs.

PORTUGUÉS MEDIO: de 12 a 14 hs.


Está previsto dar a conocer resultados de las pruebas el día 10/3/23.











domingo, 25 de setembro de 2022

HÁ UM HISTORICÍDIO EM CURSO NO PAÍS

 

HÁ UM HISTORICÍDIO EM CURSO NO PAÍS

Por diversos autores, ver lista no fim do post

Publicado originalmente na Folha de S. Paulo em 03 set. 2022.

Nos 200 anos da Independência, objetiva-se falsificar a história ou até mesmo expurgá-la

É comum que professores de história ouçam em conversas casuais frases como: “Eu gosto muito de história!”, “Os jovens precisam conhecer mais a nossa história!” ou “O brasileiro não tem memória!”… Quem nunca?

Já outros manifestam perplexidade ao lerem por aí que o nazismo era de esquerda ou que a ditadura militar brasileira foi uma “revolução democrática”(!). Eles, os perplexos, ainda lembrarão a importância de saber história “para que os erros não se repitam”. A verdade é que certas pessoas odeiam a história e o seu ensino. Fosse diferente, não estaríamos assistindo inertes ao “historicídio”, com o perdão do neologismo, que está em curso em São Paulo e no Brasil.

Recentemente esta Folha noticiou que “Aulas de história e geografia em SP poderão ter professor sem formação na área” (22/6). Nós, professores, pais e estudantes da rede pública estadual, fomos surpreendidos com essa resolução da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que propõe resolver a falta de professores, diversas vezes denunciada pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu), com mais precarização.

Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) homologada em 2018 no ensino médio, a história perdeu seu lugar como disciplina escolar no currículo, que ocupava desde a primeira metade do século 19!

A disciplina foi diluída em uma miscelânea “4 em 1” (história, geografia, sociologia e filosofia), que é de tudo um pouco, e de um pouco, nada. Como se todas essas disciplinas não tivessem suas especificidades e um único professor híbrido resolvesse a questão.

Destaque-se que esse agrupamento por área pasteurizou conteúdos e reduziu o número de professores, dando lugar para componentes curriculares alienígenas à cultura escolar, como “empreendedorismo e projeto de vida”, que não têm lastro acadêmico, pois não se constituem como cursos de graduação e, portanto, inexistem professores licenciados.

A lei 14.038/2020, que regulamenta a profissão de historiador, informa em seu artigo 4º que uma das atribuições desse profissional é exercer o “magistério da disciplina de história nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio”. Uma ilegalidade ronda a escola pública brasileira! Ou simplesmente a letra da lei garante um direito inócuo?

Como se não bastasse, através da resolução 02/2019, o Conselho Nacional de Educação (CNE) estabeleceu uma mudança nos cursos de formação de professores que tem sido amplamente criticada.

Essa resolução propõe a diminuição da carga horária dos conteúdos específicos em favor de genéricos, formando professores num praticismo raso. Sua implantação despreza a autonomia universitária, inúmeras experiências curriculares em andamento e projetos de cursos consolidados.

É um desastre cognitivo o que está em curso, um verdadeiro “historicídio” promovido por negacionistas que desejam falsificar a história. Mas também produzido por aqueles que desejam, simplesmente, se livrar dela expurgando-a do seu estudo escolar. Excluir a história do currículo é apagar o passado e ameaçar o futuro. Precarizar a formação docente favorece a deformação e a desinformação. Não sendo revertidas essas medidas, a cidadania ficará privada do mais básico conhecimento de nossas histórias. Será esta a nossa contribuição ao futuro no bicentenário da Independência?

Antonio Simplicio de Almeida Neto
Departamento de História da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

Paulo Eduardo Mello
Departamento de História da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa)

Valdei Araujo
Associação Nacional de História – Brasil e Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto)

Paulo Eduardo Teixeira
Associação Nacional de História – São Paulo e Unesp (Universidade Estadual Paulista)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

MUSEU VIRTUAL DA LUSOFONIA

Museu Virtual da Lusofonia: clicar em hiperligações

Atravessar a língua no século XXI e procurar pelo que está para além dela, através do espaço não-espaço de um novo tempo, que tem a potencialidade de o abrir, ver as grafias das geografias, pode ser o movimento de quem entra no Museu Virtual da Lusofonia.

Fundado em 2017, este projecto do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, sob direção de Moisés de Lemos Martins, apresenta-se como uma plataforma que visa “interrogar o conceito de lusofonia na interseção de olhares, não se limitando a reunir uma equipa multidisciplinar de cientistas sociais, mas procurando também envolver elementos dos setores cultural e artístico e da sociedade civil na reflexão e na discussão crítica sobre as relações interculturais nos países de língua portuguesa,” lê-se no Museu. A expressão, para o conhecimento e reconhecimento, tem lugar em diversos formatos.

 

CONTINUAR LENDO…

terça-feira, 28 de setembro de 2021

RESULTADOS DE LOS EXÁMENES LIBRES TOMADOS EL 27/9/21

Los resultados de los exámenes libres de portugués (elemental, medio y superior) tomados el lunes 27/9 están disponibles en los siguientes enlaces:


Portugués Elemental: 
https://drive.google.com/file/d/1pDDV8dnC-8W9_kFLEwvFMVjWAswoGQ2B/view?usp=sharing

Portugués Medio: 
https://drive.google.com/file/d/1qAWtd1cna2pQZ6xtne6QKXeLGZwmHSJA/view?usp=sharing

Portugués Superior:
https://drive.google.com/file/d/1YGO7WBYcWTREbyNAmxCPn2J10kQ3ZRB8/view?usp=sharing



sexta-feira, 10 de setembro de 2021

ENLACES A MATERIALES DIDÁCTICOS DE PORTUGUÉS

En el siguiente enlace se puede acceder a un repertorio breve de materiales didácticos (manuales, libros, modelos de pruebas, fichas y recursos) para PORTUGUÉS.


MATERIAIS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS









MESA DE EXÁMENES LIBRES DE SETIEMBRE

Informamos que la próxima mesa de exámenes libres correspondiente al mes de setiembre se llevará a cabo el LUNES 27/9 en los siguientes horarios:


PORTUGUÉS ELEMENTAL: de 9 a 11 hs.

PORTUGUÉS MEDIO: de 13 a 15 hs.

PORTUGUÉS SUPERIOR: de 9 a 12 hs.


IMPORTANTE:

A fin de poder presentarse a las mesas de exámenes es indispensable confirmar asistencia a través del procedimiento que el Departamento compartirá en sus espacios web desde el  15 al 22 de septiembre. 


De acuerdo con el protocolo, quienes no confirmen asistencia no podrán rendir examen en este turno. La cátedra de portugués enviará vía mail la información de plataformas virtuales y protocolos de examen a los inscriptos que hayan confirmado su asistencia. 


domingo, 25 de julho de 2021

sexta-feira, 21 de maio de 2021

CONFIRMACIÓN DE ASISTENCIA A MESAS DE EXÁMENES LIBRES DE PORTUGUÉS (Mayo 2021)

 

Según lo acordado por la Secretaría Académica de FFyL, los alumnos inscriptos a las mesas de exámenes libres virtuales del turno de Mayo de 2021 deben confirmar su asistencia a las mismas a fin de que las cátedras les puedan enviar la información de conexión a las plataformas dispuestas.


Dicha información se enviará a través de correo electrónico sólo a quienes hayan consignado sus datos completos desde el 19 al 26/05/21.

El link del formulario online de confirmación de asistencia junto con la información de fechas, horarios y modalidad de examen se encuentra en el archivo PDF que puede descargarse del siguiente enlaces: